sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

"Ainda estamos muito atrás no combate ao tráfico" - Entrevista a Luís Horta


O presidente da ADoP elogia o laboratório português, mas admite que os cientistas não conseguem detectar todas as substâncias proibidas. A antecipação é uma das armas usadas contra batoteiros, mas no combate ao tráfico há muito por fazer.


Se a ADoP e a AMA competissem num carro de Fórmula 1 e os "batoteiros" noutro, qual estaria mais perto de cortar a meta?
Em determinados aspectos estamos muito atrás, como no tráfico, e em outros já por vezes vamos à frente, nomeadamente na cooperação com a indústria farmacêutica ou na dopagem genética. Ainda existem métodos de dopagem genética, mas já houve uma série de simpósios onde os grandes especialistas de manipulação genética estiveram presentes. Quando um investigador de genética é contactado por um treinador, um atleta ou um agente desportivo, sabe que lhe estão a pedir para fazer uma utilização ilícita de um propósito muito nobre que ele tem que é curar doenças incuráveis e salvar vidas. A nível laboratorial, sabemos que não podemos ganhar a luta fazendo análises, pois há muitas substâncias que ainda não temos capacidade para detectar. Estão na lista proibida porque, se num país estiverem criminalizadas, podem servir para as policias actuarem.
A AMA elegeu um novo presidente há algum tempo. Que mudanças ocorreram na agência?
A AMA fez o seu décimo aniversário há alguns meses e em dez anos a luta contra a dopagem mudou muito. E os que são críticos da AMA deviam pensar onde estávamos há dez anos. Claro que é preciso fazer muito mais, mas penso é gratificante ver as recentes conquistas da cooperação com a indústria farmacêutica, o facto de a Interpol ter um agente só para a luta contra a dopagem, a convenção internacional da UNESCO, redigida em tempo recorde. Há medidas e iniciativas com as quais não concordo, mas isso faz parte da vida.

Entrevista foi feita por Duarte Ladeiras (jornalista do DN)


Gonçalo Carneiro

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